É um pé. E era. Tudo bem que isso não basta. A frase, em si não diz nada demais. Nem a ação em si. Uma pessoa a apontar um pé e identificando-o como tal não desperta interesse nenhum, pelo contrário. Um pé, para despertar o interesse em alguém, mais ainda, para estarrecer toda a família pronta para sair de casa de manhã precisa de atributos. Verdade que ele não os tinha. Seria mais correto afirmar que ele mais era um atributo do que que os possuía. E aqui entra o estranhamento do caso: O pé estava surgindo debaixo da televisão. Era exatamente do mesmo material da TV: plástico. Da mesma cor e design. Afora a certeza de que ontem ele não estava lá, diria-se certamente que saiu da fábrica daquela maneira, fruto do mau gosto de um funcionário que teve este projeto aprovado sabe Deus como. Abaixo da TV, a suportar o peso dela e dos olhares de todos os habitantes da casa que, atrasados, perderam pouco tempo a contemplá-lo. Mais do que podiam e muito menos do que a curiosidade exigia. O pé foi o assunto do trajeto da escola, do trabalho e dos afazeres diários a que o labor nos sujeita e dos quais a mãe era a responsável. Está nascendo um pé em nossa televisão. Que será isso? Vá saber. Que legal. Eu achei arrepiante. Melhor jogar ela fora. Deixa, eu quero ver. Quando eu chegar, vejo o que faço.
Filhos na escola, marido no trabalho, compras da semana nas sacolas, contas na caixa de correio, cumprimentar o porteiro, elevador, pegar as chaves na bolsa, abrir a porta, olhar, claro, para a TV... Espanto. Ela não estava lá.
todo mundo tem sua rebeldia revelada, uma hora ou outra. nós qdo adolescemos e eletrodomésticos qdo cansam de transmitir o BBB.
ResponderExcluir(PS: vida longa ao blog, à nossa parceria e à literatura íntima de todos nós!)
Valeu, Amandita.
ResponderExcluirEsse é o espaço da brincadeira.